Amadurecer é doloroso 

Tenho observado e refletido, em virtude de minhas próprias dores e lutas, o quanto é difícil e penoso amadurecer. Porém, é extremamente necessário para sermos pessoas melhores e colaboradores no crescimento individual de cada irmão, no Reino de Deus, e para almejarmos a santidade afim de um dia pertencermos ao céu.

É frequente notarmos que existem pessoas adultas incapazes de tomarem decisões, de assumirem as consequências de seus atos, de serem de fato responsáveis. Quase todas suas atitudes são conduzidas pelo puro sentimentalismo. A maioria dessas pessoas não se desapegou do passado e fica vivenciando uma espécie de nostalgia de períodos da infância, da adolescência, ou de momentos de alguma fase que tenha sido marcante. Essas pessoas se prendem às lembranças positivas que servem como fuga da realidade ou também, o que é mais comum, ficam ressentindo as lembranças traumáticas que vem à tona porque ainda não foram curadas. No entanto, o passado deve nos servir de ancora e aprendizado, mas nunca de fuga, ponto de volta. Ser apegado a isso paralisa. O apego ao que já passou e os traumas não superados são fatores que nos atrapalham muito a crescer,seguir em frente e progredir.

É muito difícil assumir nossas sensibilidades, nossas limitações afetivas, nossas desordens sentimentais e más inclinações para mal e para o pecado, até porque muitas vezes nem possuímos entendimento e domínio de todas essas realidades intimas que nos são inerentes. Diante disso é essencial que se busque o autoconhecimento e a aceitação. Apenas desse modo é possível ordenar o que está desordenado dentro de nosso interior.

O ato de procurar conhecer-se um pouco melhor exige esforço, diligência e muita humildade. Não é fácil, tem que ser uma decisão consciente de que serão encontradas num mesmo coração coisas encantadoras e preciosas, mas também coisas profundamente desagradáveis. E quão custoso é reconhecer nossas próprias misérias, nossos defeitos e carências.

Nesse processo de conhecimento é essencial perceber como nosso ser é complexo e que mesmo depois de muito explorar e saber, ainda sim sairemos quase que leigos a respeito de nós mesmos, pois, não estamos prontos e não somos perfeitos é uma constante evolução. A ideia é que, ao saber um pouco mais de nós, consigamos lidar melhor diante das situações acerca de nossas reações. Alguém que é conduzido por suas emoções reage com o instinto tendo sempre atitudes imaturas.

Se quero amadurecer tenho que ter domínio e equilíbrio do meu ser. E para isso é preciso enxergar o ser num todo, com toda suas faculdades, inteligência, vontade, liberdade, memória, imaginação, afetividade e sexualidade. Em suma, todas precisam estar harmonizadas em Cristo, para atingirmos a santidade e consequentemente uma verdadeira conversão, o ato de converter-se é totalmente ligado ao se autoconhecer. E tudo está no caminho árduo do amadurecimento.

Em primeira instancia, devemos ter ciência que todas as etapas e faculdades de nosso ser já foram feridas pelo pecado. É preciso que você escolha deixar que Deus interfira com sua infinita misericórdia, para que elas possam ser curadas. Apenas um ser curado e de mãos atadas ao Senhor consegue prosseguir e crescer.

O imaturo é aquele que acredita que sozinho, sem a graça divina e sem a comunhão com os irmãos irá adiante. Orgulhoso, será facilmente derrubado pelo pecado, e levado pelas falsas paixões. Sendo procrastinador atrasa a si mesmo e atrapalha os outros.

A indispensável convivência com os demais é o que permite nosso crescimento pessoal, é no outro que eu me conheço. É através do que o outro estimula em mim que eu irei conhecendo minhas emoções e reações.

Somos chamados a viver em unidade na condição de irmãos e herdeiros do reino, porque fomos criados à imagem e semelhança de Deus. Se renunciamos a convivência, nos trancamos em nosso universo interior e nos tornamos como uma árvore estéril que não floresce e nem frutifica. Alguém que não se doa, e que não ama.

Sem o amor a vida se enche de medo, e o medo paralisa. E assim não se tem maturidade, nem santidade, nem contemplação do divino, e o desejo de atingir a vontade do Senhor se tornará mais distante.

O Amor, primeiro a Deus e depois aos irmãos é que nos dará verdadeiro empenho em educarmos nossa vontade, disciplinarmos nossos sentimentos e emoções, dominarmos nosso temperamento e ânimo  para  fortalecer nossas virtudes e caráter.

Amadurecer é doloroso, assusta, e muitas vezes recuamos por medo, de escolher, de decidir, de renunciar e de lidar com consequências. Mas sejamos corajosos e decididos, tem uma grande recompensa nisso tudo. Quem se dispõem trilhar esse caminho é edificado num todo, cresce espiritualmente, fica mais próximo da realidade humana e do templo vivo que é o nosso próprio coração.

E não existe uma determinada idade ou um tempo, onde vamos estar plenamente maduros, é um processo continuo, até o fim de nossas vidas. Estamos em construção, na liberdade dada a nós, juntamente com o Criador, vamos nos construindo dia a dia, até a eternidade.

Jéssica Amanda

23 anos, Cristã Católica, estudante de biomedicina. Amante da coisas simples da vida, física e teologia. Apaixonada por Jesus e Maria. " Coisas que os olhos não viram, nem os ouvidos ouviram, nem o coração humano imaginou, tais são os bens que Deus tem preparado para aqueles que o amam. " ( I Cor 2,9)

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