Jesus não me fez juiz.

“Assim acontecerá no fim dos tempos: os anjos virão para separar os homens maus dos que são justos, e lançarão os maus na fornalha de fogo. E aí, haverá choro e ranger de dentes.”

Talvez sentado ali no mesmo banco de sempre, na mesma igreja a gente reivindicasse a Deus: “Senhor, por favor, envia teus anjos para separar os homens maus dos bons.” E Deus poderia responder: “Claro, você pode pegar o final daquela fila onde estão os homens maus.” O julgamento certamente é um dos maiores erros dos cristãos, talvez por isso é tão falado na bíblia, o problema dele é que o usamos para julgar o outro, e não a nós. Quando a palavra fala de separar os maus dos justos no final dos tempos, não devemos listar os que são maus e que serão lançados ao fogo, mas nos perguntar: “eu seria lançado ao fogo Senhor?” Não perca seu tempo avaliando a conduta do outro sem antes ter olhado que tipo de pessoa você é. O que deve ser deixado claro é que existe um peso diferente nas duas sentenças: “Que tipo de cristão eu sou? Que tipo de pessoa eu sou?” Um cristão chega ao vale da hipocrisia bem mais rápido que o não cristão. Afinal, o cristão vê em Cristo um modelo a ser seguido, e justamente por ser Ele o modelo, é tão difícil para nós, nos assemelharmos a Ele. Se fosse hoje, eu seria lançado ao fogo Senhor?

Hipócrita! Tira primeiro a trave do teu olho, e então poderás ver com clareza para tirar o cisco do olho de teu irmão. 

O poder que o evangelho tem de nos transformar é incrível, basta um versículo e o poder de Deus transforma corações de pedra em corações de carne. Ninguém ao ouvir Jesus nessa frase a seguiria ao pé da letra. “Ok Jesus vou me retirar por uns dias a fim de tirar a trave do meu olho aí então posso julgar o meu irmão”, a questão aí é que ao ser tirada a trave dos nossos olhos, também sai de nós o olhar acusador, o coração de juiz. Quando eu analiso a minha miséria, quando sei quem realmente sou, quando reconheço que tipo de pessoa eu seria se não fosse a presença de Cristo na minha vida, eu passo a olhar de uma forma diferente para o outro.

“Nunca se esqueça de onde Deus te tirou, principalmente quando estiver julgando o outro.”

Ao se conhecer, e saber o quanto de Deus tem na sua vida atual, a trave cai, e o cisco no olho do outro já não incomoda, você quer verdadeiramente que o próprio Cristo faça o serviço. Reconhece que Deus não te deu o dom para juiz (a não ser que seja no caso profissional da coisa, algo que não estou falando aqui), te deu o dom de receber a presença Dele e ter seu coração transformado. Por fim, quando a trave cai, o nosso coração se abre, não carece de acusação, não carece de ser juiz do outro, ele se abre ainda mais para Cristo e clama a Ele: “faz no outro o que o Senhor tem feito em mim, não desista de mim Senhor, sei que sou falho, mas sou bem pior longe da sua presença.”

A trave cai e brota em nós um coração evangelizador, sem condenar o outro, mas reconhece que você é bem pior do que aquele que você tinha julgado, talvez a diferença é que Cristo começou o seu processo antes.

Que o Senhor possa pessoalmente cuidar do seu coração, que essas palavras possam ser um direcionamento de Deus para sua vida, que seja um novo chamado de Deus para sua vida. Evangelize. Leve o Cristo que te transformou para aqueles que necessitam do mesmo jeito que você necessitou um dia.

Gabriel Antunes

Católico, amigo do Lewis, Odontopediatra, mineiro.

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