Prison Break de Pedro

Não sei se você já ouviu falar da série Prison Break. Após a prisão de Lincoln Burrows (Dominic Purcell), condenado por um crime que não cometeu, o engenheiro Michael Scofield (Wentworth Miller) bola um plano para tirar o irmão da cadeia. A trama gira em torno do plano de fuga de Scofield e as dificuldades para conseguir fugir da prisão de segurança máxima com o irmão. Mas existe um “Prison Break” bíblico. Pedro, condenado injustamente para agradar os judeus, recebeu a ajuda de um anjo para fugir da prisão.

Talvez o Prison Break de Pedro não seria uma grande série, afinal, no que se refere a fugir da cadeia, o anjo não encontrou dificuldade nenhuma para libertar o discípulo de Cristo. O anjo entrou, rompeu as correntes que amarravam Pedro, passou pelos guardas e ambos fugiram. O anjo foi o instrumento de Deus para libertar Pedro.

As vezes, nossos sentimentos são como uma cadeia que nos aprisiona, como um juiz que nos condena, como uma sentença de um crime que não cometemos. Damos aos nossos sentimentos um valor exagerado, interpretamos a realidade com base no que sentimos e isso faz da nossa existência um cárcere.

Imagine a seguinte situação:

Você é casado(a) e combinou um jantar com sua (seu) esposa(o) num determinado horário. Acontece que se passaram duas horas e nada dele(a) aparecer. Na primeira situação você acredita que seu(sua) esposa(o) sofreu um acidente e a cada minuto a mais a sua agonia aumenta. Você está triste, preocupado(a), ligou para os parentes, para os hospitais, até o momento em que ele (a) aparece são e salvo(a) na sua frente. A sua reação ao vê-lo(a) é de alívio, você o abraça e louva a Deus por ele(a) estar bem. Mas na segunda situação, você acredita que ele(a) esteja te traindo. A cada minuto que passa sua raiva aumenta, você já arrumou suas coisas para ir embora de casa, você já ligou para os amigos, e já tirou sua aliança. Até o momento que ele(a) chega são  e salvo(a) na sua frente. Você esbraveja, xinga, cheira, confere as roupas. No final das contas a situação é a mesma: o seu esposo(a) se atrasou. Porém, a forma com que você interpretou a situação que muda, baseando seu entendimento no tipo de pensamento que você tem. Você teve um tipo de sentimento, independente da situação real das coisas. Os seus sentimentos te aprisionaram e ditaram o tipo de reação você teria ao encontrar aquela pessoa.

Talvez esse seja o motivo de algumas pessoas afastarem da igreja. Elas no começo se sentem bem, as pessoas são agradáveis, a música é boa, e a paz de Deus reina ali. Você se sente bem, Deus está ali. Mas com o passar do tempo, as pessoas não são tão legais, o volume da música vai estar mais alto, você não sente aquele arrepio do começo, portanto, Deus não está ali. Acaba, por fim, pensando que “se Deus está em todos os lugares, então não preciso estar no meio dos cristãos”.

Em muitas situações os nossos sentimentos serão nossa prisão, mas no final das contas,  sentimentos são apenas o resultado da interpretação que temos das coisas. O quanto a falta de perdão pode nos trancar em casa, calar a nossa boca e acabar com possibilidades. O quanto nossa tristeza pode bradar em alto e bom som: “fique deitado o dia inteiro e não saia daí enquanto eu não for embora”. O quanto a alegria pode dizer: “aqui é o melhor lugar do mundo, não se importe com o que está acontecendo ao redor”. Não estou demonizando os sentimentos, já deixo isso claro, estou dizendo que devemos estar atentos a eles, desenvolvendo uma consciência que se desperta e consegue “ver” de fora o que estamos sentindo.

Talvez hoje seus sentimentos estão ditando o tipo de vida que você tem levado, e a cada dia você se distancia de ter uma consciência real sobre as coisas ao redor. Você não pode se aproximar de Deus só na dor ou só o louvar na alegria. Os discípulos louvavam principalmente na dor. Se alegravam no Senhor, mesmo presos e condenados.Você precisa estar atento ao seus sentimentos e questionar se eles estão de acordo com a realidade. Se estão te ajudando ou tornando sua vida cada vez mais miserável.

Se você chegou até aqui e começou a pensar que seus sentimentos te aprisionam, te convido a orar a Deus. Talvez Ele envie um anjo, uma pessoa, um livro, ou sei lá o que Deus tiver de usar pra te tirar da prisão dos sentimentos. O que importa é que você peça a Ele que te livre de ser guiado por aquilo que você sente. Talvez você esteja levando uma vida miserável e não sabe porque está “feliz” demais pra perceber. Ou triste demais para se levantar. Seus sentimentos são resultado dos seus pensamentos e não o contrário. No que se refere a Deus, pode ter certeza, quando você sentiu que Ele não estava lá, Ele realmente estava. Quando você sentiu que Ele te abandou, pode ter certeza, Ele não abandonou. Não deixe que a forma com que você se sente em relação a Deus te diga quem Ele é. Deixe que o próprio Deus se apresente.

Gabriel Antunes

Católico, amigo do Lewis, Odontopediatra, mineiro.

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