Chamados ao descanso

Não há tempo para ler um livro. Não há tempo para escutar uma música. Não há tempo para olhar as estrelas. Não há tempo. É tanta correria e vai-e-vem que, em nosso mundo pós-moderno, tempo livre virou sinônimo de tempo inútil. Não nos sentimos bem quando temos algum período de ócio e a nossa consciência parece ficar incomodada com o fato de estarmos (nem que seja por um minuto) sem fazer nada. Sentimos uma necessidade de produzir, sempre em mais quantidade e em menos tempo.

Nesse modo de viver, acabamos nos perdendo em meio a nós mesmos e as nossas cobranças, por isso é comum demonstrarmos ansiedade, irritação e preocupação exacerbada com a vida e com tudo o que virá dela (e que ainda não sabemos). Somos vítimas da contingência, ou seja, não controlamos o nosso futuro, apesar de toda a preocupação e desespero que porventura habite em nós. Eles não podem adicionar nenhum côvado à nossa estatura (Mateus 6:27). Apesar disso, sempre tentamos nos agarrar ao controle da nossa vida (e as vezes até da vida dos outros) para nos firmarmos e não sermos levados pelos vendavais que vão e voltam.

Em meio a esse caos, Jesus nos chama a descansar. Ele quer que vivamos felizes no hoje, o dia que Ele nos deu. O ontem já escapuliu de nossas mãos e o amanhã ainda não chegou, mas o hoje é o tempo que temos para vivermos e desfrutarmos de tudo aquilo que Deus criou. Porém só é possível viver o hoje tranquilamente quando confiamos. Algumas pessoas confiam em coisas ou em até mesmo em outras pessoas. Isso temporariamente, traz alívio e permite que as pessoas apreciem o momento presente, porém não tarda a vir a decepção e, com ela, toda o avalanche de medos e preocupações que outrora as dominavam.

Portanto, não se preocupem com o amanhã, pois o amanhã trará as suas próprias preocupações. Basta a cada dia o seu próprio mal. (Mateus 6:34)

Só Jesus Cristo, o Deus encarnado, pode receber sobre os seus ombros a nossa confiança e honrá-la de maneira plena. Ele nos convida a descansar, a soltar a mão do volante e deixar que Ele dirija. Enquanto isso, a gente pode aumentar o som e aproveitar a vista através do banco do carona. Ele quer tomar a frente porque sabe que pode fazer isso muito melhor do que eu e você: somos falhos, inconstantes e temerosos, mas Ele é eterno, santo e justo.

Mesmo em meio a bagunça pós-moderna, Jesus continua firme e perene como uma rocha que não se move um centímetro apesar das ondas do mar. Ele é o nosso porto seguro, e nEle obtemos força e coragem para suportar qualquer adversidade, por mais absurda e sem sentido que pareça e. Enquanto confiarmos nisso tudo, ainda teremos sensibilidade para aproveitar e admirar as suas benfeitorias, seja em nossa vida, na de nossos amigos ou na criação.

Olhemos para o céu, escutemos os pássaros cantando, vejamos a chuva caindo: em tudo isso a mão de Deus está nos sustentando. Precisamos ter ousadia para vivermos não como se cada dia fosse o último, mas como se fosse único, pois eles de fato são. A aparente rotina que nos diz que tudo é sempre igual acaba sendo desmascarada pelo maravilhamento causado pela segurança que temos quando entregamos tudo o que somos nas mãos do Pai.

Aceite o chamado de Cristo. Em uma época onde todos querem o controle de tudo, abra mão de si mesmo e deixe Deus ser Deus: o criador e consumador de todas as coisas. Amém.

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