O dia que “quase” vi Deus.

Acordei de madrugada, peguei meu celular e olhei a hora: uma da manhã e alguns minutos que não fazem muita diferença, mas antes de acordar, eu tinha dormido e antes de dormir eu tinha rezado, fiz o sinal da cruz e comecei a falar com Deus, depois de ter falado o que eu tinha que falar, disse que não iria fazer o sinal da cruz da “despedida” já que costumo fazer um no começo da oração e outro no fim, disse-lhe que gostaria de continuar a oração até dormir sem saber quando ela acabaria de verdade.
Enquanto pegava no sono conversava com Deus, das besteiras de sempre, das fraquezas, das tristezas, das revoltas, pensava, acreditava naquilo que saía de mim e chegava ao coração de Dele.
Dormi…sabe aqueles momentos quando a gente acorda e não sabe se é sonho, aqueles momentos em que saímos daquilo que somos, onde tudo aquilo que se passou, todas essas cicatrizes que ficaram parecem não existir?
Onde a nossa realidade se torna um sonho, e nos dá a plena capacidade de acreditar de verdade naquilo que sinto, a capacidade de verdadeiramente acreditar no que acredito, onde não importa tudo ao nosso redor, só aquilo que sou, aquilo que me tornei e aquilo que aspiro ser. Foi isso que eu vivi.
Um momento único, onde não importava mais nada só aquele momento. Acordei, olhei as horas, não sabia se tinha dormido, se estava acordado ainda, se ainda estava em oração, escutei um barulho na cozinha, pensei ter sido um rato, mas pensei, não pode ser rato já que na porta tem aquelas borrachas embaixo pra não deixar eles entrar, despreocupei, me esquecendo do detalhe que não existia borracha alguma. Era isso, uma realidade diferente onde confiava naquilo que acreditava, criei a borracha e o rato se foi, mas nesses momentos onde tudo se parece ser só uma ilusão ainda sou homem, de carne e osso, com pensamentos e sentimentos, não era nada fantasioso, o barulho me fez acreditar no rato, e eu tinha me esquecido que a borracha da porta era da outra casa que eu tinha morado.
Então não existia rato, só o barulho, lembrei que ainda estava em oração, e acreditei, Deus está na cozinha, meio com preguiça pensei, porque Ele não vem aqui então, tenho tanta coisa pra dizer, tanta coisa pra perguntar e Ele lá na cozinha, consegui acreditar de verdade em Deus, era uma certeza muito grande de que Ele estava lá, levantei pra poder falar com Ele, com um monte de palavras entaladas prontas pra sair de dentro, e com os olhos prontos pra saber: como é mesmo que Ele é, me esqueci das religiões, dos meus pecados, das minhas tristezas, do meu sono, da minha loucura e fui atrás de Deus, não o vi, era o gelo da geladeira desligada e de porta aberta que caia no chão, Deus não estava lá como pensei, mas vi que a fé é isso, acreditar sem se importar e correr atrás, se levantar só pra poder vê-lo só pra poder estar perto.
Aprendi nesse sonho, em que eu estava acordado, que o que importa de verdade é ir atrás de Deus, de uma forma pura, só pra poder chegar perto, de se levantar e ir na cozinha esperando ter um homem de barba branca sentado me esperando, só pra poder estar perto, a fé verdadeira consiste nisso, não nos interesses sobre o que Deus pode nos dar, mas sim de buscar, de ir atrás só pra poder conhece-lo.
Voltei,deitei e vi que é muita loucura acreditar que Deus estava na cozinha, Ele está muito mais interessado em estar aqui do meu lado, olhando pra mim, cuidando de mim e me amando cada vez mais do que perder tempo fazendo barulho na cozinha!

Gabriel Antunes

"Cristo veio ao mundo para salvar os pecadores, dos quais eu sou o primeiro. Administrador da página C. S. Lewis Brasil, Dentista, Católico e ser humano. Não sei falar a palavra papibaquígrafo.

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