O Sossego da Alma

Cobranças, planos para o futuro, faculdade, emprego, listas de livros para ler, política, igreja, relacionamentos e assim por diante. Pôr-se a calcular, num só segundo, as diversas preocupações que temos, não é fácil. Às vezes, é natural que nos sintamos pequenos diante de tantos objetivos, preocupações e decisões. O coração se atribula. Ficamos ansiosos e perdemos a paz. O desafio que temos todos os dias está em tentar alcançar a quietude da alma.

Ao ler os Salmos e outros livros que tratam da história de Davi, percebemos nele uma alma intensa que, por muitas vezes, é atribulada, inquieta e ansiosa, mas que sempre busca a rendição ao Senhor. Em seu pequeno Salmo 131, podemos encontrar algumas sugestões sobre como lidar com as ansiedades da vida.

NÃO TER UM CORAÇÃO SOBERBO
“Senhor, o meu coração não é orgulhoso e os meus olhos não são arrogantes. Não me envolvo com coisas grandiosas nem maravilhosas demais para mim”(Sl 131:1).

É muito humano e natural, mesmo com certa humildade, lidar com o mérito e o demérito de modo objetivo. Observamos como queremos que a vida seja, quais sonhos queremos que sejam realizados, qual é a consequência de nossos esforços e, deste modo, esperamos os resultados. Todavia, o temor de tê-los frustrados no mínimo aspecto ocasionalmente nos tira o sono. Pois, mesmo que de modo inconsciente, às vezes temos uma espécie de complexo de príncipes e princesas e julgamos poder ter (e merecer) tudo o que queremos. Contudo, o salmista caminha em sentido oposto. Não no sentido do qual os pensamentos são medíocres e não se deve ansiar por coisas boas. Mas, na direção da compreensão de quem somos e daquilo que realmente precisamos em oposição ao sentimento de merecimento orgulhoso do que quer que seja.

FAZER A ALMA AQUIETAR
“De fato, acalmei e tranquilizei a minha alma. Sou como uma criança recém-amamentada por sua mãe; a minha alma é como essa criança” (Sl 131:2).

Quem já conviveu com recém-nascidos sabe como é lindo vê-los dormindo e como é desesperador ouvir seus choros de fome! Mas, após saciados, nos braços da mãe, toda a harmonia da cena retorna. Davi fala que assim se encontra a sua alma. Tranquila, saciada. Nossas inquietudes não provém das frustrações, mas da ilusão do oásis do sonho alcançado. Costumamos olhar para nossos sonhos e objetivos com a impressão de que se os alcançarmos, aí sim, poderemos descansar. A frustração, ou a possibilidade de frustração de qualquer um deles, por vezes, nos leva ao desassossego. Entretanto, uma vez que alcançamos aquilo que queremos, percebemos que nosso anseio já é por outra coisa. Assim, entramos em um ciclo onde nunca estamos satisfeitos. No entanto, somente Deus pode saciar os desejos mais profundos de nossos corações. Davi diz que ele acalmou sua alma. De igual forma, cabe a nós a decisão de colocar nosso foco naquilo que realmente importa. Na confusão dos nossos diversos desejos é preciso fazer nossa alma descansar, como criança do colo da mãe, na vontade do Senhor, sabendo que Dele vem nosso sustento.

ESPERAR NO SENHOR
“Espere Israel no Senhor, desde agora e para sempre.” (Sl 131:3)

O ponto crucial não é, de modo algum, que não sonhemos e que submetamos nossas vidas à monotonia da espera do amanhã. É, entretanto, que aquilo que esperamos, esperemos Nele. O Salmo 127(a) diz: “Se o Senhor não edificar a casa, em vão trabalham os que a edificam” e o apóstolo Paulo ainda nos recomenda: “Não andem ansiosos por coisa alguma, mas em tudo, pela oração e súplicas, e com ação de graças, apresentem seus pedidos a Deus”. Neste ponto, é importante que compreendamos que não estamos sujeitos ao acaso. Que, mesmo quando não entendemos o porquê do “Sim” e do “Não” em nossas vidas, Deus está agindo para o nosso bem. Aprendamos a colocar nas mãos Dele todas as coisas e esperar, pois, quer seja cumprida a nossa vontade, quer não, as coisas cooperam para o nosso bem (Rm 8:28).

OBSERVAR A DIMENSÃO TEMPORAL DE DEUS
Por fim, é necessário que olhemos para este instante de nossas vidas como uma centelha diante da Eternidade. Que muitas coisas, mesmo as melhores, passarão. C.S. Lewis disse que o que não é eterno é eternamente inútil. Por isso, é quando nossos corações se voltam para as coisas do alto que nós aprendemos a dar o valor correto às coisas aqui da terra. Pois, sob a luz da eternidade, descansando nas mãos do Criador do Universo, pelo que realmente vale a pena ficar ansioso? Portanto, como o apóstolo Paulo recomenda: “Que a paz de Deus que excede todo entendimento, guarde os nossos corações e as nossas mentes em Cristo Jesus”.

Mayara Lima

29, Paranaense, Cristã, Professora de inglês, estudante de Arquitetura e Urbanismo, fã de literatura, poesia, artes e teologia. "Tu nos fizeste para ti mesmo, e nossos corações ficam desassossegados enquanto não descansam em ti”. - Agostinho

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