O Verbo Anunciado

“Retendo firme a fiel palavra, que é conforme a doutrina, para que seja poderoso, tanto para admoestar com a sã doutrina, como para convencer os contradizentes. “ [Tt 1:9]

Como filha de um professor de Português e consequente amante da Língua Portuguesa, sempre me interessa a busca pelo significado de novas palavras para enriquecer meu vocabulário. Porém, hoje, não compartilhando uma palavra erudita, mas apenas de talvez difícil exposição em seu real significado, partilho aqui o contexto do verbo ‘reter’. No Aurélio, a palavra tem para ele algumas definições: guardar, conservar, não se desfazer de, conservar na memória, agarrar-se ou segurar-se; termos que por si só já expressam solidez, firmeza e clareza.

Também como filha do Altíssimo e consequente amante de Sua Palavra, interessa-me buscar enxergar o que me cerca, no cotidiano e nos hábitos, sob uma ótica espiritual, associando muitas vezes a semântica e etimologia das palavras à minha postura cristã frente ao que Jesus em seus conselhos, parábolas e falas nos deixou nas Escrituras. A propriedade etimológica da palavra me induz à ação estando certa e garantida sobre o que estou fazendo, o que, do contrário, não me despertaria semelhante segurança em permanecer fazendo o que nem eu mesma saberia o quê, ao certo. Afetaria até minha excelência no serviço. É disso que se trata esse texto: da capacidade e excelência no poder de fala, para admoestar ou convencer, segundo as palavras que se tem sido retidas por nós.

A relação do conceito para palavra/verbo com a pessoa de Jesus conota direta e dependentemente os dois focos de estudo a partir do momento que entendemos que Jesus é o Verbo da Vida, a palavra que dá vida a vida. Segundo o apóstolo João, em sua primeira carta, no capítulo 1 e versículo 1, Jesus “No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus.”; verbo esse que foi manifestado em vida e escrito para que os discípulos também pudessem partilhar dessa manifestação em alegria, juntamente com o apóstolo, que viu a Jesus.

Hoje o ministério do discipulado e da reconciliação está em nossas mãos, como sendo nós mesmos os discípulos de Cristo. E se nossa palavra passa a ser também entregue a outros e a representar ou apresentar alguém, somos testemunhas. Se falamos por Cristo, falamos tendo por âmago a Bíblia, que é “… viva e eficaz, e mais penetrante do que espada alguma de dois gumes, e penetra até à divisão da alma e do espírito, e das juntas e medulas, e é apta para discernir os pensamentos e intenções do coração. “ [Hb 4:12]

Num ligeiro parêntese, entendendo um pouco sobre a função de uma testemunha, temos de antemão que ela quando notificada, é obrigada a prestar depoimento e tem os deveres de se apresentar no dia, hora e local indicados, de obedecer às indicações que lhe forem dadas quanto à forma de prestar depoimento e de responder com verdade às perguntas que lhe forem feitas. Referenciando aqui já a nós, portanto, se falamos, pela Palavra de Deus, falamos conforme a verdade de Deus e o poder de Deus. Ela é a bússola que vai nos nortear no modo de viver, de pensar, de agir e de falar se a retermos em sua completude, o que já nos incube a missão de saber manusear bem o instrumento, não é? Do contrário, não chegaremos a lugar nenhum nem levaremos ninguém a bom lugar algum.

Falar de Jesus, seja o representando, seja o apresentando, exortando ou admoestando alguém, exige tamanha devoção à Bíblia e tamanho entendimento do que nos pode ser dado como feedback nas consequências. O que se espera de um evangelho exposto por um hipócrita ou herege? Que tipo de sementes ele plantará e até onde essas sementes irão frutificando de maneira venosa à alma? Quantas pessoas viverão num ledo engano? Em quem ou quê farão essas pessoas crerem? Tudo depende da semente que outrora já regamos e nutrimos em nós. A síntese é que o verbo do testemunho dado é o mesmo verbo que vai operar no leitor/ouvinte o que fora operado em nós.

Moisés, numa belíssima metáfora vista em Deuteronômio capítulo 11 e versículo 18, exorta o povo a atar a Palavra não somente na alma e no coração, mas também nas mãos, para que ela estivesse perto e visível aos olhos e, assim, ao entendimento e ao viver. Ele sabia que somente assim o povo se tornaria mais desenvolto e capaz de influenciar até mesmo pelo testemunho vivo que seriam. Era justamente essa a preocupação de Paulo em sua fala no versículo tema: a transmissão do Evangelho e sua relação com a sã doutrina. Quem iria contra os falsos ensinos e contra os que não refutavam o erro, munidos com o verbo da vida para admoestar e convencer?

A palavra já nos foi dada e está em nossas mãos. Em contraste com os esforços humanos, Deus trouxe para perto de nós a palavra da salvação e, desse modo, ela comunica a salvação. É pela nossa palavra e testemunho e pelo que retemos das Escrituras que Cristo é verdadeiramente anunciado. Essa é uma comunicação que não pode ser falha, que não permite nosso titubeio nem superficialidade! Vãs são as teologias humanas se elas não estão embasadas na sã doutrina bíblica ou se apresentam embasamento parcial ou distorcido. Serão todas lançadas fora pelo próprio Deus porque não serão de efeito salvífico ao mundo nem a nós mesmos.

Deus usou a palavra e tudo se fez. Jesus usava a palavra e criam que apenas ela bastaria. O que o Senhor fez faremos e ainda coisas maiores, como visto no evangelho de João capítulo 14 e versículo 12! Seja o nosso falar “… sim, sim; não, não. “ [Mt 5:37] Seja o nosso testemunho a Palavra que é o cerne da conversão a Deus! Guardemos, conservemos na memória, não nos desfacemos, nos agarremos e nos seguremos à Bíblia, que é substância aos corações! Busquemos a capacitação do Senhor através de Sua Palavra! Desembainhemos com excelência nossa espada! E depois de tudo isso, estejamos aptos e abastecidos da sã doutrina para admoestar, exortar, convencer e pregar a Palavra “… instes a tempo e fora de tempo.” [2 Tm 4:2]

Renally Motta

Renally Motta, 24 anos. Cristã protestante, cristocêntrica. JPA, PB. Técnica em Edificações e graduanda em Engenharia Civil. Apaixonada pela Bíblia e seu contexto atual e poder salvífico! "O mundo é a minha paróquia." [Jonh Wesley]

2 comentários em “O Verbo Anunciado

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