Olhe Para Fora

Sempre gostei de janelas. Nos poemas dos outros, nos meus, nas fotos, nas pinturas, nas músicas todas. Sempre lhes dediquei maior atenção. Minhas melhores memórias têm conversas nas janelas, o barulho de uma feira na rua, a imagem dos amigos que chegavam, os primeiros raios de sol de uma manhã importante, o pôr-do-sol… As janelas me fazem pensar na possibilidade de olhar para fora de qualquer clausura, respirar, ver a luz. Por isso, para mim, elas são uma metáfora que sempre me renova as esperanças.

 

A vida é cheia de situações limitadoras. A profissão pouco satisfatória, relacionamentos que não deram certo, doenças, dúvidas sobre o amanhã, questionamentos a respeito da vida, da fé e de tudo. A realidade é dura. O mundo não é como queríamos, tampouco as coisas todas. Vez ou outra nos deparamos com circunstâncias onde não sabemos o que fazer ou para onde ir. E, ocasionalmente, tais situações podem mergulhar a vida numa aparente noite sem fim.

 

Contudo, conceber a realidade presente não deve pressupor uma permanente sujeição a ela. Como as janelas são uma promessa que o sol tornará a nascer é importante compreender que as circunstâncias que nos fazem esmorecer são temporárias. Que como o mundo gira nos trazendo noites e dias, os dilemas e adversidades são transitórios.  É necessário, embora difícil, olhar para fora e esperar.

 

Quando as portas se fecham, é através das janelas que entendemos que não é o fim. Assim, além da singela expectativa por dias melhores, elas também representam uma esperança eterna. Embora, por vezes achamos que a realidade é toda essa que está diante de nossos olhos, e que nada há para além do material, a vida é cheia de janelas que nos mostram que sim, existe algo além dessa noite em que o mundo se encontra. Diante disso, onde quer que você esteja lendo este texto, olhe para a janela. Por mais longa que seja a noite, o Sol da Manhã ainda irá raiar.

 

Mayara Lima

29, Paranaense, Cristã, Professora de inglês, estudante de Arquitetura e Urbanismo, fã de literatura, poesia, artes e teologia. "Tu nos fizeste para ti mesmo, e nossos corações ficam desassossegados enquanto não descansam em ti”. - Agostinho

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