Paulo – O Encontro Com a Verdade

São muitas as características que fazem do Apóstolo Paulo parte importante desta série sobre os heróis da fé. Tão admirado, com uma vasta quantidade de escritos, e com uma personalidade e uma história tão marcante, não era possível deixá-lo de fora. Em tempos de confusão e de rejeição às verdades básicas, sua trajetória nos mostra um profundo compromisso com a verdade que tem muito a nos ensinar.
O Apóstolo judeu se descreve da seguinte forma: “circuncidado ao oitavo dia, da linhagem de Israel, da tribo de Benjamim, hebreu de hebreus; segundo a lei, fariseu; Segundo o zelo, perseguidor da igreja, segundo a justiça que há na lei, irrepreensível”. Sua fala indica o profundo compromisso que ele tinha com o judaísmo. Alguns podem pensar que isso facilitaria a sua conversão. Mas o cristianismo era, ao contrário, uma ameaça àquela fé que ele cultivava intensamente desde cedo. Cultivava a tal ponto que, segundo o relato de Atos, consentiu na morte de Estevão e “respirava ameaças” contra os cristãos.

Entretanto, um certo dia, Jesus lhe apareceu no caminho questionando-o: “Por que me persegues?”, e afirmando: “Dura coisa te é recalcitrar contra os aguilhões”. Os aguilhões eram peças pontiagudas utilizadas para fazer os animais seguirem a direção que seu dono desejava. Quanto mais o animal recalcitrava (reagia de maneira contrária), mais os aguilhões lhe feriam. Tal metáfora foi utilizada de modo a descrever seu comportamento. Enquanto fariseu, o apóstolo havia tido acesso a muitos conceitos sobre Deus. Talvez fosse essa a razão de seu zelo, tão nitidamente representado em seu combate àquilo que era divergente ao que havia aprendido. Mas aguilhões da verdade de Cristo feriram o que estava tão enraizado em seu coração e que havia sido construído ao longo de toda a sua vida. Naquele momento, as nuances da realidade apontavam para Aquele que era o Caminho a Verdade e a Vida de forma irreversível.

Ao ter tal encontro com Cristo, a Verdade integral, restou-lhe render-se e perguntar: “Senhor, que queres que eu faça?”. A intensidade e a sinceridade dessas palavras se mostram em toda a sua trajetória que conhecemos deste ponto em diante. Um pregador do evangelho zeloso e apaixonado, cujos sábios escritos nos orientam até hoje. Alguém que não media esforços e nem palavras para que a verdade do Evangelho fosse propagada. Comprometido ao ponto de ser muitas vezes açoitado, preso, perseguido, e (provavelmente) morto em nome de Cristo.

Em sua história emocionante, vemos um mergulho na verdade encontrada e percebemos que, como William Sire disse, “o amor à verdade traz obediência, santidade, e mais conhecimento da verdade”. Contudo, Agostinho declara que, de modo contrastante, “muitos homens odeiam a verdade por amor daquilo que tomaram por verdadeiro”. O que descreve bem os nossos dias. São tempos onde o simples uso desta palavra pode despertar a ira de muitas pessoas. Onde ciência se esforça em negar mesmo a discussão da possibilidade da existência de Deus. Onde os discursos relativizam a moral.  Onde a verdade é, por fim, contradição.

Diante disso, todos somos constantemente expostos, às vezes bombardeados, por conflitos, que, muito embora nem sempre sejam tão bons seus argumentos, tencionam comprometer nossa capacidade de crer. Contudo, como Paulo sugere, não devemos tomar a forma deste mundo. Diante dos dilemas de nossas vidas, é importante que como ele, nós também tenhamos um encontro pessoal com Cristo. Tendo nosso entendimento por Ele renovado, seremos capazes de reconhecer a verdade. E esta, uma vez encontrada, nos leva a uma caminhada em direção a mais verdade. E é através desse caminho que seremos realmente livres.

 

Mayara Lima

29, Paranaense, Cristã, Professora de inglês, estudante de Arquitetura e Urbanismo, fã de literatura, poesia, artes e teologia. "Tu nos fizeste para ti mesmo, e nossos corações ficam desassossegados enquanto não descansam em ti”. - Agostinho

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