Resenha: A Arte Moderna e a Morte de Uma Cultura

A internet é a arena onde conflitos sutis e outrora silenciosos têm se manifestado clamorosamente. Assim, é pouco provável que qualquer pessoa que tenha uma rede social não tenha visto algumas das diversas discussões sobre arte nas últimas semanas. Embora a superfície do problema seja evidente e urgente, compreender, ao menos em parte, o que se entende por Arte e o que nos trouxe à conflagração presente, faz-se necessário.

De modo virtuoso, Hans R. Rookmaaker em “A Arte Moderna e a Morte de uma Cultura” traz uma percepção histórica acerca das transformações que a arte sofreu desde a Renascença e também nos leva a refletir a respeito da participação dos cristãos neste cenário. Contudo, enganam-se aqueles que pensam que o autor faz uma análise crítica, que apenas aponta o dedo e condena a arte e suas polêmicas. Neste livro, Rookmaaker nos ajuda a ponderar a respeito do caráter sintomático da arte moderna e como a fé cristã se relaciona isso. Em outras palavras, o autor nos leva a enxergar o que está por trás do absurdo.

Através de sua escrita talentosa, podemos sentir ao longo de suas páginas como se caminhássemos com ele pelas galerias de arte desde os entornos do século XIV até hoje. Por meio de uma rica apresentação de obras características de cada época, vemos como se refletiu na arte o caminho que passa pela visão cristã de mundo até a uma visão questionável da realidade. Tratando as obras a partir de uma perspectiva diagnóstica, percebemos pela análise livro o processo de relativização da verdade manifestando-se nas contraditórias produções.

Entretanto, por mais que grande parte do livro trate dessas reflexões, em toda a leitura montamos o quebra-cabeças que delineia seguinte questão: “Qual é o papel dos cristãos neste contexto?” Após (mas também durante) as análises das obras, o autor sentencia: “devemos entender que o juízo começa com a casa de Deus”. Neste ponto, de modo bem mais específico, o Rookmaaker passa a falar da relação da fé com a arte, da arte com a verdade, e do cristão com ambos. Com a intensidade dos profetas do antigo testamento, o autor holandês conclama seus leitores a responder o chamado de Deus a manifestar sua glória em todas as instâncias da vida, sendo essa a resposta transformadora para um contexto que despreza a Deus.

Costumo dizer que bons livros quase sempre nos fazem pessoas diferentes quando os terminamos. Assim, nos levando a ver o mundo literal e metaforicamente com outras cores, em A Arte Moderna e a Morte de Uma Cultura, Hans Rookmaaker corresponde ao chamado que faz para todos os leitores cristãos: o de ser sal e luz.

Mayara Lima

29, Paranaense, Cristã, Professora de inglês, estudante de Arquitetura e Urbanismo, fã de literatura, poesia, artes e teologia. "Tu nos fizeste para ti mesmo, e nossos corações ficam desassossegados enquanto não descansam em ti”. - Agostinho

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